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Jesus e Judas na Santa Ceia de Leonardo Da Vinci

 
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Publicado em 4 de novembro de 2013

Dom Rafael Cifuente conta em seu livro “Sacerdotes para o terceiro milênio”, que quando Leonardo da Vinci quis pintar a famosa “Última Ceia”, procurou um modelo vivo e belo que representasse Jesus. Procurou alguém em vários ambientes, até que encontrou um jovem belo, sensível, firme e viril, quando assistia um coral; viu em um dos cantores a imagem perfeita de Cristo. Convidou-o para ir ao seu ateliê, e reproduziu seus traços em estudos e esboços. O jovem ficou entusiasmado ao ver seu rosto estampado no rosto de Cristo.

Passaram-se quatro anos, e Leonardo já tinha pintado todos os Apóstolos, mas faltava Judas. A “Última Ceia” estava quase pronta, mas, Da Vinci ainda não havia encontrado o modelo ideal de Judas. Queria alguém que representasse a traição e a degeneração. Depois de muitos dias procurando, o pintor finalmente encontrou um jovem prematuramente envelhecido, bêbado, esfarrapado, atirado na sarjeta. O seu olhar tinha algo de duro, de falso, de ambíguo… Ofereceu-lhe uma boa importância para pousar. Da Vinci copiava as linhas da impiedade, do pecado, do egoísmo, tão bem delineadas na face do mendigo que mal conseguia parar em pé.

Quando terminou, o jovem disse a Leonardo: “O senhor não me conhece?”. Diante da negativa de Leonardo, o jovem disse, para assombro de Leonardo: “Pois eu mesmo servi de modelo para a figura de Jesus”.

Em quatro anos aquele jovem sofreu essa terrível mudança de vida. Essa personagem é real. A história recolheu seu nome. Chamava-se Pietro Bondinelli. Há quatro anos, antes de perder tudo o que tinha, quando cantava num coral, tinha uma vida cheia de sonhos e o artista o convidou para posar como modelo para a face de Jesus.

Há em todos nós um Judas e um Jesus escondidos no fundo de nossa alma. Estamos destinados a ser outros Cristos, mas trazemos em nós os germes do velho Adão, diz Dom Rafael. É preciso tomar muito cuidado, “o espírito é forte, mas a carne é fraca”. Trazemos “o tesouro de Deus em vasos de argila” (2 Cor 4,7).

Prof. Felipe Aquino

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