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O LUGAR DA VIRGEM MARIA DENTRO DA TEOLOGIA.

 
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Durante meu período de formação para a vida religiosa tive a oportunidade de fazer um processo de autoconhecimento. Fiz isso para ter-me nas mãos e saber quem sou eu. Bom, este processo nunca se encerra, mas hoje já tenho os elementos básicos para ser eu mesmo; sei qual é a minha identidade. Mas, qual é a importância disso para a fé? Só posso ofertar a Deus aquilo que eu tenho. Como darei minha vida pra Deus se não a tenho em minhas mãos?

O autoconhecimento nos dá uma das condições necessárias para amar, isto é, firma-nos em nossa identidade. Esta, todavia, só pode ser alcançada graças a uma caminhada pela própria história de vida. E, nesta história deparamo-nos com fatos e pessoas que nos marcaram negativamente, mas também positivamente. Não tem jeito, sempre vemos nossa história em relação a outra ou outras pessoas.

Como cristãos, somos chamados a conhecer a vida de Jesus, a fim de viver, sentir, amar, sonhar e sorrir como Ele (cf. Padre Zezinho in Amar como Jesus amou). Mas, neste processo de conhecimento sobre a pessoa de Jesus, necessariamente, devemos passar por Sua história, com o intuito de perceber os fatos e as pessoas que Lhe marcaram. Bom, é especificamente sobre uma pessoa das quais marcou a história de Jesus que um dos mais importantes tratados da Teologia fala, trata-se da pessoa de Maria.

Ao estudarmos a figura de Maria em relação a Jesus, estamos estudando o papel da Mãe de Deus dentro da obra da Revelação – para usar um vocabulário mais técnico. A Teologia chama este estudo de Mariologia. “A Mariologia é uma parte da Ciência Teológica que trata, em virtude dos princípios revelados, da Mãe de Deus-Redentor enquanto tal e de todas as demais graças tocantes a ela” (MERKELBACH, Benito Enrique. Mariologia: Tratado de la Santíssima Virgem Maria Madre de Dios y mediadora entre Dios y los hombres. Tradução Pedro Arenillas. Bilbao: Desclée de Brower Y O, 1954, p. 29).

A Teologia é dividida em três grandes blocos: Teologia Fundamental, que antigamente era chamada de apologética, cujo intuito é responder às perguntas da razão humana frente à realidade da fé, mostrando que é possível crer e raciocinar ao mesmo tempo. “Estejais sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pede” (1Pd 3,15). A segunda parte é conhecida como Teologia Moral, esta se ocupa das ações humanas em relação aos princípios cristãos; aqui está presente aquilo que convém ou não fazer como cristão, as questões bioéticas, o tratado das virtudes e vícios humanos, dentre outras questões. E, por fim, o terceiro bloco teológico é chamado de Teologia Sistemática, também conhecida como dogmática, aqui é onde começa a teologia, propriamente dita, isto porque, ela se ocupa com a reflexão a respeito da fé, harmonizando-a com a realidade do homem moderno e seus questionamentos. Dentro desta parte é que se encontra o estudo acerca da Mãe de Deus, a saber, a Mariologia. Mas, é correto estudar uma criatura humana dentro de uma disciplina que trata sobre Deus?

A segunda parte deste artigo nos dará esta resposta.

“Quando chegou a plenitude dos tempos, mandou o seu Filho, nascido de mulher… para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4,4-5). Pelas palavras de São Paulo percebemos qual é a razão de um estudo mariano dentro da Teologia, apesar de alguns questionarem esta matéria, já que a palavra Teologia vem do grego theos (Deus, divindade) e logos (estudo), isto é, estudo sobre Deus e não sobre a criatura humana.

Ao classificarmos a mariologia como uma disciplina teológica não significa, com isto, que estamos afirmando que Maria “é deusa ou mais que deusa” (cf. Padre Zezinho), mas por ser a Theotokos (Mãe de Deus) – conforme a carta aos Gálatas nos recordou acima – é, também, parte constituinte da Revelação Cristã. Por esta razão, a mariologia deve ser um tratado da ciência teológica “que pertence com toda a certeza à terceira parte da Teologia, isto é, à doutrina do Verbo Encarnado e Redentor, com a qual está intimamente unida, e à parte orgânica da Dogmática” (MERKELBACH, 1954, p.29).

Além disso, podemos dar mais um passo e afirmar, com toda a certeza, que Maria é uma criatura teológica, basicamente, porque é o único ser humano que possui uma característica peculiar, a saber, é Mãe de Deus. Este atributo que ela recebeu, por graça, coloca-a em relação direta com Deus. Esta característica esta impressa de uma maneira profunda na identidade da Virgem, isto é o que ela é.

As graças que a jovenzinha de Nazaré recebeu estavam intimamente ligadas à sua missão de ser Mãe de Deus, Redentor do mundo. Portanto, tudo aquilo que Deus lhe confiou, como graças e privilégios sobrenaturais, vieram como auxílio à Obra da Salvação. Assim, Maria participa intimamente da Obra Redentora. Neste sentido entendemos o monograma de Maria presente no verso da Medalha Milagrosa, onde um único altar consuma, ao mesmo tempo, dois grandes sacrifícios, um o corpo de Jesus e o outro, o Coração de Maria (cf. São João Crisóstomo).

Ao rezarmos a Ladainha de Nossa Senhora percebemos uma série de títulos que são atribuídos a ela. Todos eles têm alguma ligação com a Obra da Salvação iniciada por Deus desde o Antigo Testamento e, além disso, todas estão ligadas à sua missão de ser a Mãe de Deus.

Percebemos, assim, que “a Mariologia é um complemento necessário da doutrina dos mistérios da Encarnação e da Redenção” e, além disso, “é necessária para compreender a obra da criação, da predestinação, e do governo, por ser a Santíssima Virgem a primeira criatura elevada acima do demais” (MERKELBACH, 1954, p. 31).


Por: Frater Thiago Pereira, SCJ
Membro da Academia Marial
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