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Quebrar imagens é uma atitude evangélica?

 
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Data e horário: segunda-feira, 21 Julho 2014 - 10:10
Créditos: Diocese de Juiz de Fora

O arcebispo metropolitano de Juiz de Fora (MG), Dom Gil Antônio Moreira, escreveu um artigo no qual reflete sobre os recentes casos de invasões depredações de igrejas e símbolos católicos no Brasil. Confira.

Têm-se repetido, no país, atitudes agressivas contra a Igreja Católica no que diz respeito ao direito de praticar sua fé que inclui a veneração (não adoração) de imagens. Não entrarei aqui na discussão dos argumentos sobre a legitimidade bíblica e histórica a respeito do uso ou não de tais símbolos, mesmo porque, no meu entender, a questão já foi resolvida no II Concílio de Nicéia, no ano de 787, e seria perder o tempo e a paz, ficar discutindo algo já definido por cristãos do oriente e do ocidente.

No caso atual em nosso país, trata-se de um problema sério que fere a legislação a respeito da liberdade religiosa. Não há dúvida que nossos governantes devem estar atentos para que não se desenvolva um clima de odium religionis e isto venha a terminar numa verdadeira guerra entre adeptos de crenças diferentes, o que não interessaria a ninguém.

Quarta feira, dia 16 de julho, festa de Nossa Senhora do Carmo, aconteceu mais um ato de vandalismo religioso, o terceiro em poucas semanas, desta vez na cidade de Sacramento-MG. Um rapaz de 20 anos que se apresentou como evangélico quebrou as imagens de uma igreja, destruindo inclusive peças de grande valor artístico tombadas por órgãos governamentais de proteção ao patrimônio histórico. Aprisionado, o tal rapaz se disse doente mental, tendo sido até mesmo internado em clínica para tratamento desta natureza. Geralmente, quando acontecem estes desrespeitosos atos de violência e fanatismo, aparece um advogado para defender o réu com tal argumentação e tudo fica por isso mesmo.

Certo é que os casos de agressão religiosa deste tipo, e desrespeito à crença alheia, têm sido praticados por pessoas que se dizem evangélicas. Não temos notícias, s.m.j, de católicos que tenham invadido igrejas não católicas para praticar agressões por motivos religiosos, nem mesmo sendo doentes mentais saídos de alguma clínica. Isto não quer dizer que os católicos sejam melhores que os evangélicos e nem que os evangélicos sejam melhores que os católicos, mesmo porque os evangélicos autênticos nunca fariam tais agressões, pois qualquer vandalismo, desrespeito, atitudes violentas e preconceituosas não são evangélicas e seriam um contra-senso. As atitudes iconoclastas praticadas em várias partes do Brasil ultimamente têm sido condenadas por Pastores evangélicos e outros membros de várias correntes não católicas, o que nos dá a certeza de que os vândalos que invadem igrejas ou quebram imagens não são verdadeiros evangélicos, mas muito mais usurpadores deste nome. Estou convicto de que, se houver algum Pastor que incentivasse isto, certamente não encontraria apoio em seus irmãos de crença que sejam sérios. Seriam, inclusive, co-autores do ato criminoso.

Tenho muitos amigos evangélicos, inclusive vários Pastores de mentalidade aberta e de espírito respeitoso que se reúnem comigo para a oração e para iniciativas inter-confessionais em favor da vida, dos bons costumes e dos princípios cristãos. O Movimento Ecumênico é belamente praticado hoje no Brasil e no mundo por Igrejas Evangélicas, Ortodoxas e Católica através do CONIC (Conselho Mundial das Igrejas Cristãs). A ele a CNBB tem dado total apoio. Também o movimento EnCristus, bem como outras iniciativas, têm sido uma bênção de Deus neste caminho de respeitosos diálogo. Motiva-nos a fé em Jesus Cristo e a certeza de que o que nos une é muito mais forte do que o que nos separa.

Além do perdão que nós católicos oferecemos aos nossos agressores, penso que todos os que cremos em o nome de Jesus, devemos colaborar para que atitudes como estas sejam totalmente eliminadas dentre nós. Afinal Jesus nos ensina com sua oração: Pai, que todos sejam um como eu e tu somos um, para que o mundo creia (Jo.17,21); e ainda: Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado.(Jo.15,12).
Além disso, que as autoridades governamentais tomem atitudes que defendam o direito dos brasileiros de praticarem livre e pacificamente a sua fé.

Juiz de Fora, 18 de julho de 2014,



Dom Gil Antônio Moreira

Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora


Fonte: Arquidiocese de São Paulo
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